Dia do Orgasmo

Não adianta ir para a cama pensando que chegar ao clímax é obrigação: melhor deixar o prazer correr com naturalidade….

Na época das nossas avós e bisavós, mulher “direita” não podia de jeito algum sentir desejo sexual, muito menos ter orgasmos. Já na atualidade, a situação se inverteu e chegar ao clímax ao final da transa virou obrigação para a população feminina. Esse ápice de prazer está sendo cultuado a tal ponto que ganhou até uma data especial, que acabamos de comemorar: 31 de julho, o Dia do Orgasmo.

A ideia de uma data comemorativa para o ponto máximo de prazer surgiu há pouco mais de uma década com sex shops britânicas, a fim de estimular as vendas de produtos e abrir maior campo para a discussão sobre a sexualidade feminina. Nos últimos tempos, conquistou o mercado erótico brasileiro, que está cada vez mais de olho na mulherada.

Mas será que temos mesmo o que comemorar? Para grande parte da população, até que sim. Já para cerca de um terço das mulheres, infelizmente não. Essa é a parcela que, segundo pesquisas nacionais, não consegue atingir o tão procurado clímax. E que hoje sofre pelo menos por dois grandes motivos: por não conseguir ter esse enorme prazer e por se ver cobrada pelos parceiros (e por si mesma) a tê-lo a todo custo. Afinal, para o sexo ser bom tem que rolar pelo menos um orgasmo para cada pessoa, certo?

Na verdade, erradíssimo. Aliás, pensar dessa forma pode justamente jogar água fria na capacidade de se estimular mais intensamente e chegar lá onde a gigantesca população quer porque quer. Ir para a cama pensando apenas em atingir aqueles oito ou dez segundos finais (a duração do orgasmo feminino e masculino) pode ser a maior roubada para ambos os sexos. Ficar com o foco nessa ideia fixa tira a atenção das sensações prazerosas do momento: dos toques, dos beijos, das carícias em busca de pontos eróticos, dos abraços, da respiração ofegante, do movimento dos corpos, do visual… Enfim, afasta o prazer das preliminares e de todo o caminho percorrido por nosso corpo para se excitar.

Resultado: se não há uma escalada de prazer, o clímax, obviamente, não vem. Muitas vezes nos esquecemos disso. Ou achamos que não é bem assim e permitimos que os pensamentos cobradores de orgasmo fiquem martelando a cabeça durante a transa toda, trazendo altas doses de frustração no lugar do prazer.

Deixar o sexo ocorrer com mais naturalidade, sem roteiro pronto nem preocupação com o final, pode ser uma saída para começar a descobrir o caminho para atingir o clímax. Isso requer um esforço grande, especialmente para lutar contra a ideia equivocada de que sexo sem orgasmo não vale nada.

Talvez seja bom lembrar que uma das coisas mais divertidas do jogo erótico é ficar se estimulando mutuamente de diversas maneiras na cama. Colocar qualquer obrigação nessa história faz perder, senão toda, pelo menos parte da graça.

Quem está ao lado da pessoa com dificuldade de ter orgasmos também precisa colaborar. E não estou falando aqui de virar um atleta sexual, não. Mas sim de entender que cada pessoa tem seus limites e suas possibilidades, e que o caminho para descobrir como obter mais prazer requer muita paciência. Talvez até a ajuda de especialista. Nesse caso, o psicólogo. Esse é o profissional que vai conversar com a pessoa sobre as questões emocionais em jogo nas dificuldades na cama.

Se a dificuldade é da mulher, o mais indicado é que ela faça sozinha o tratamento com o psicólogo. Mas há quem prefira agendar com o parceiro ou a parceira, e assim tudo bem também. Quando quem está ao nosso lado entende que jogo erótico satisfatório é questão de descoberta e de construção diária, tudo fica muito mais tranquilo. E, finalmente, mais prazeroso.
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